ANO LECTIVO

Education is an admirable thing, but it is well to remember from time to time that nothing that is worth knowing can be taught.

[Oscar Wilde]

O NAMORADO DE OSCAR WILDE

Em Londres, Oscar Wilde apaixonou-se por Alfred Douglas, filho do Marquês de Queensberry, dezasseis anos mais novo, um adolescente que o via como um velhadas anafado. O namorado de Wilde é a adolescência assexuada, a tentação loira dos homens indefinidos: uma antecipação real do jovem Tadzio, personagem de Thomas Mann.  
A Inglaterra vitoriana condena-o ao cárcere. Mas o irlandês não esquece o amante. Na longa carta que lhe envia da prisão de Reading, escreve: "Não tenhas medo do passado: se te disserem que é irrevogável, não acredites". Podem as palavras ter um significado volúvel consoante a tendência sexual do autor? Eu não sei e Wilde nunca o explicou. Morreu logo depois para ser enterrado no Père Lachaise, o verdadeiro clube dos poetas mortos. 

LIVROS & MULHERES (III)

ALICE MUNRO

Este blogue, que nasceu há três dias sob o signo dos livros e das mulheres, congratula-se com a atribuição do Nobel da Literatura a uma senhora.

O NOBEL DE MOIMENTA

O Nobel da Literatura é um prémio político e comercial. Como método de aferir a qualidade dos laureados, emparelha com o Concurso Literário de Moimenta da Beira.
Este ano bacoreja-se em alguns meios o nome de Haruki Murakami para vencedor, a anunciar amanhã. Tenho as minhas dúvidas. Já não me surpreenderia a atribuição do prémio a qualquer destes: o israelita Amos Oz, o italiano Claudio Magris, o húngaro Péter Nádas e até mesmo o dramaturgo norueguês Jon Fosse, aos quais acrescento o autocarro norte-americano: Don DeLillo, Philip Roth, Joyce Carol Oates, Thomas Pynchon, Cormac McCarthy, John Ashbery, o Bob Dylan, o motorista e o mecânico.
Se o júri quiser a surpresa política pode chamar à Academia a jornalista bielorussa Svetlana Alexievich ou o poeta sírio Adonis. Se optar pela surpresa literária ou estilística, convoca o holandês Cees Nooteboom, o italiano Umberto Eco, o albanês Ismail Kadaré ou a canadense Alice Munro, autora de contos, género literário que seria distinguido pela primeira vez.
Pelas minhas contas, que podem sair furadas pelos lóbis, será com as obras de um destes autores que os empregados das livrarias vão decorar amanhã as montras.

ANALISTAS

Entre os raros profissionais que têm medrado entre nós nos últimos anos acha-se o analista político. É geralmente um sujeito dado ao pensamento especulativo, cruzamento de rábula e Professor Bambo, com um fundo de parapsicologia e técnicas modernas de adivinhação. Uma espécie de "pensador assalariado", como dizia um amigo meu já desaparecido. Tem avultado também a curiosa figura do politólogo (lá está: político + astrólogo).
Acotovelam-se uns aos outros nas televisões, rádios e jornais. E por cada medida do governo, avançam "convulsões sociais gravíssimas" com a mesma certeza com que o Bruxo de Sanguedo garante o fim do mundo em 2014.
Em que horta estrumada irão desenterrar tantos nabos?

LIVROS & MULHERES (II)

 

DICIONÁRIO

Biblioteca
[do grego bibliothéke]
s.f.
1. Colecção de livros ou manuscritos possuídos por um particular ou para leitura pública.
2. Sala ou edifício onde está essa colecção.
3. Conjunto de estantes ou armários ocupados por livros.
3. Blogue de Bruno Oliveira Santos, um sujeito do piorio e perigoso reincidente na blogosfera.

LIVROS & MULHERES (I)

REGRESSO

A pedido de várias famílias e mães solteiras, regresso à blogosfera. Depois de alimentar um blogue entre 2003 e 2009, sinto-me agora desimpedido de começar outro pela lei da limitação dos mandatos blogosféricos.